14.11.06

DESABAFO DE UMA VÍTIMA DE PRECONCEITO

Quanto mais sofro por ser ateu, maior é o meu desejo de continuar sendo ateu. Por que todo o meu sofrimento se deve aos “filhos de Deus” que são preconceituosos e ignorantes com aqueles que não seguem seus pensamentos.

Não acredito que eu fosse capaz de humilhar, constranger ou ignorar uma pessoa somente porque ela tem uma concepção religiosa diferente da minha. Somente após revelar que sou ateu, conheci pessoas que pensam da mesma forma. As pessoas que se surpreendem ou se chocam com as minhas concepções deveriam rever seus conceitos. Se meu ateísmo as chocam, é porque seus preconceitos impedem que vejam que muitas pessoas ao seu redor pensam da mesma maneira que eu e só não se mostram por medo de represálias.

O preconceito dessas pessoas faz com que elas pensem que são “filhos de Deus” e que ajam como “agentes de Lúcifer” ao espalhar sobre os que não pensam de forma igual a dor da humilhação, do preconceito e do constrangimento.

Descobri que sou criminoso. Cometi um crime ao ter na minha agenda uma frase de platão “Não foi Deus que criou o homem, mas sim o homem que criou Deus”. Descobri que minha descrença me faz incopetente no trabalho. Descobri que estou propagando o ateísmo ao tentar explicar para uma criança de nove anos que a galinha evoluiu do dinossauro. Descobri que, para uma pessoa, talvez fosse melhor que eu fosse homossexual do que ateu. Descobri que se eu defender o direito da minha namorada de rezar para a avó dela, estou ajudando-a a ir para o inferno, logicamente que junto comigo. E finalmente, mais recentemente, descobri que sou indigno da minha namorada, tudo porque em quatro anos, essa é a única coisa que o avô dela pode falar de mim, porém isso basta para que ele vire em minha cara e diga que não gosta de mim.

Não tenho a menor disposição de renunciar aos meus pensamentos. Não se trata de querer ou não acreditar, o fato é que simplesmente não acredito. Tenho plena certeza que o erro não está em mim, mas sim naqueles que entendem que “amar ao próximo como a si mesmo” significa considerar os ateus como "distantes".

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG75728-5990-443,00.html

http://www.ateusdobrasil.com.br/

http://acoruja.haaan.com/atheos_ateismo



abr@ços

Elloc

1 Comments:

At 1:33 AM, Anonymous Anônimo said...

Vivemos em mundo em que tudo é padronizado, todos devem se vestir de forma parecida, quase igual; todos devem falar de forma parecida, quase igual; todos devem amar de forma parecida, quase igual; todos devem crer de forma parecida, quase igual. Repare na vida das pessoas, todos fazemos coisas parecidas, em idades parecidas e de formas parecidas. Do nascimento à morte, podemos citar, para sermos breves, duas dessas coisas: o vestibular e o casamento; aos dezesseis anos, estamos todos fazendo o vestibular, a mais ou menos aos 23 ou 24 anos, estamos nos casando. Quem foge à regra sofre o preconceito por estar fora da linha. É assim mesmo. Apesar de que Deus disse que somente Ele é quem pode julgar quem por Ele foi criado, a agente ainda se mete a besta. Não sou religiosa, mas acredito muito em Deus e acho que a frase de platão está um tanto certa, pois nós criamos um Deus idealizado, que nao existe e distorcemos Sua palavra. Quando discriminamos alguém por pensar diferente a respeito de Deus, estamos negando o próprio Deus, pois negamos que a sabedoria Dele é maior do que a nossa para dizer o que é certo e o que é errado. É o que eu penso.
Um abraço.
Rita.

 

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