Ideologia, eu quero uma pra viver!
Acusam-nos de apáticos. Nós jovens nascidos entre 1980 e 1990 somos forçados a admirar e admitir o que os mais velhos fizeram quando lutaram por um Brasil melhor até a década em que nascemos. Hoje somos jovens que comemos um lanche no Mc Donald’s enquanto admiramos a pobreza através de um vidro transparente de shopping. Somos jovens que testemunhamos a Câmara mais claramente corrupta e nada fazemos. Somos jovens que presenciamos a violência e nos limitamos a protestar em Estádios de futebol achando que estamos fazendo muito.Acusam-nos de apáticos e admitimos sermos assim. É a realidade. Nossos poucos representantes (entidades estudantis, DCE’s e políticos dos jovens) agem por motivos ora pequenos, ora pessoais. Contentamo-nos em brigar contra aumentos nos vales-transporte com medo de gastarmos mais da bolsa do nosso estágio enquanto esquecemos de olhar de forma holística para nosso país, ignorando que a repercussão das atitudes políticas que interferem de forma indireta em nossas vidas podem ser mais prejudiciais.
Acusam-nos, admitimos e somos punidos por nossas ações (ou pela falta delas) e não sem razão. Mas a que se deve isso? O que os jovens daquela de épocas anteriores a nossa tinham a mais do que nós?
Simples! Eles tinham heróis!
De tão simples, minha resposta pode aparentar ser simplista demais, mas sinto inveja das gerações, filhos dos fãs de Chico e Caetano, que tiveram o prazer de conviver plenamente com heróis que atendiam por nomes de Cazuza, Raul Seixas e Renato Russo. Heróis que de uma forma simples e numa linguagem simples eram responsáveis por repassarem ensinamentos que podiam variar do existencialismo ao hinduísmo passando inclusive pela psicanálise de Freud. Mais do que cantores, tais heróis eram líderes que convocavam os jovens, com o sangue efervescido pelos hormônios e pelo ódio á ditadura a criarem uma revolução aonde quer que estivessem.
Imaginem-se escondidos num quarto, com mais três ou quatro amigos, tentando interpretar as mensagens de músicas que diziam que “o negócio tá muito bandeira”, “enquanto houver burguesia, não vai haver poesia” e músicas que afirmavam que se parássemos pra pensar, na verdade não haveria um amanhã...
Sinto-me humilhado pelos meus dois irmãos que são 10 e 12 anos mais velhos que eu. Eles viveram os ídolos de sua geração. A minha, nem sequer os tem. Sentimo-nos felizes em sermos democráticos elegendo Fábio Faria ou Manuela D’Ávila de Rio Grande do Norte ao Sul. Sentimo-nos felizes com Funk e Axé e incomodamo-nos quando um refrão tem mais do que doze palavras, pois assim teremos que pensar. Ás vezes, sozinho em casa, embaixo do chuveiro, uma ou duas lágrimas ajudam a molhar o meu rosto quando canto um trecho de Ideologia de Cazuza:
“Pois aquele garoto que ia mudar o mundo(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muro
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder”
É triste ter que admitir que sou esse garoto e pior é imaginar que estou longe de ser o único...
Abr@ços
Elloc


Eu sou da sua geração, eu roubei os heróis da geração passada. Eu tenho heróis da geração atual (MvBill, que tal). Acho que gerações diferentes têm ideiais diferentes, naturalmente. Claro que somos apáticos, nao discordo. Eu estudo na mesma universidade que o Renato Russo estudou e, enquanto bandinhas cantam "Que país é esse?", deputados fazem besteiras no Congresso, pertinho dali. Acontece que Renato Russo cantava pra protestar, enquanto o meu colega ta alí pra descolar mais uma gatinha, pra ficar mais famoso, pra ser chamado pras baladas da turma. Não deixa de ser um ideal kkkkkk. Desisto de tentar defender essa geração rsrsrsrs Fico pensando o que a geração de Hernestino Guimarães (outro aluno heróico) faria se estivesse ali no nosso lugar, o que fariam com o Congresso de hoje??
Elloc, eu escrevi um texto sobre o aquecimento global. Posso enviá-lo para o seu e-mail e aí, se você gostar, você posta ele aqui? é que eu não tenho blog e nem tenho vontade de ter um blog só pra mim... E gosto muito de escrever, mas é charo escrever só pra mim...
Aguardo resposta.
Abraço, adorei o texto.
Olá Rita!
Seria um prazer enorme, ainda mais sobre um tema tão presente... Só que eu acho que ficaria estranho vc mandar para mim para só depois eu colocar no Blog... Então, resolvi mandar um convite para seu mail para que vc seja co-autora aqui do blog! Acredito que dessa forma vc terá autonomia para inserir textos de forma direta e se prepara para montar o seu blog. Se vc aceitar, tenho certeza que faremos uma ótima parceria :-D
abr@ços
Elloc
Ahahaha valeu!!! Que legal!!
Bom, devo postar o texto quinta ou sexta, assim que escolher uma imagem legal e tal. Valeu, amei a idéia.
Abraços.
Nossa! Belo texto!E concordo plenamente, imagina se somos o futuro da nação, imagina como ficara o país quando começarmos a movimenta-lo? Não realmente não existem herois... hoje temos no máximo visionários que se vangloriam dos próprios devaneios e apenas pregam a revolução e nada...nada ocorre...
Mas saiba, vc não é o único a escutar Cazuza e chorar... eu tbm sou uma dessas, idealista, que procura uma ideologia!
Obrigada pelo comentario no meu Blog!
Até mais e um abraço.
concordo mesmo;;;
sinto inveja pelos heróis do meu pai, dos meus primos...
e a gente tá aqui... assistindo à tudo, em cima do muro.