28.12.06

SE EU ACREDITASSE EM DEUS...

1- Não acreditaria em um Deus que fosse exclusivo de minha igreja, como se fosse dono de um clube privado do qual quem não fosse membro iria passar a eternidade cheirando enxofre.

2- Não acreditaria em um Deus punitivo, que por qualquer coisinha besta, ameaçaria qualquer um a sofrer de tudo no mármore do inferno.

3- Não acreditaria em um Deus interesseiro, que condena o acúmulo de dinheiro e ao mesmo tempo pede mais dinheiro do que qualquer pedinte de rua.

4- Não acreditaria em um Deus preconceituoso, que afirma que todos aqueles que não seguem o pensamento de minha igreja são leprosos incuráveis que merecem ficar embaixo da ponte, o mais longe possível de mim.

5- Não acreditaria em um Deus egoísta, que prefere que seu dinheiro vá para suas obras (entenda obras literalmente, na forma de construções ou reparos em igrejas) ao invés de ser encaminhado por mãos profissionais à pessoas que estão passando fome nesse momento.

6- Não acreditaria num Deus narcisista, que ao escrever os dez mandamentos, coloca o "amar a Deus sobre todas as coisas" em primeiro lugar e ignora algo como "fazer o bem acima de tudo".

7- Não acreditaria em um Deus assassino, que sob pretextos vários de várias igrejas, matam ou mataram para divulgar seu nome.

8- Não acreditaria em um Deus que é contra os animais, distinguindo-os dos homens por uma mera posse de alma e que criou esses pobres seres para serem reinados por nós.

9- Não acreditaria em um Deus mandão, que oferece livre arbítrio e ameaças ao mesmo tempo, como um padrasto que fala "Pode fazer o que você quiser, mas se levantar daí, te cubro de porrada".

10- E, finalmente, não acreditaria nesse Deus comercial vendido pelas igrejas. Um Deus comercializado como produto, moldado segundo interesses diversos conforma mudam os tempo, as sociedades e as formas de captação da "grana profana".

Se eu acreditasse em Deus, na minha concepção, seria unicamente um Deus de amor, que teria como única missão divulgar o fazer o bem. Você até pode acreditar num Deus entre os 10 citados, mas, se lá no fundo você acredita que o seu Deus é o do amor, então te aconselho a dar seu dízimo para a sociedade, e não para uma igreja. Segue mais alguns programas e instituições que fariam muito mais com seu dízimo:

AMA: Associação dos amigos de autistas
Fundação Abrinq
APAE
Teleton (AACD)
Criança Esperança

Esse é o quarto texto da Campanha Dízimo para a Sociedade os outros são:

1- Dízimo para a sociedade
2- Aplicabilidade do dízimo
3- As contribuições segundo a bíblia

Abr@ços, em especial a Martinho do blog Aldeia Giramundo por ter sugerido a foto da igreja de sua cidade, Sorocaba e a Rita pela sugestão dos programas e instituições aqui citados.

Elloc

4 Comments:

At 8:14 PM, Blogger Rafael said...

É uma pena que a palavra Deus não é sinônimo de "um exemplo a seguir" ou o "ápice de um ser humano racional". Atualmente, falamos a palavra Deus apenas quando queremos dinheiro, curar doença sem cura, ficar com a Debora Secco, entre outras, e, como na grande parte dos conceitos atingidos pelo senso comum, o valor real acaba se perdendo no marasmo das mentes pedintes.

Ao invés de seguir o exemplo, de traçar um ideal e batalhar com as próprias capacidades as pessoas acabam negando a individualidade e tendo Deus como um simples apoio à incompetência ostentada no dia-a-dia.

Para mim, o ser humano pode igualar-se a Deus desde que queira batalhar para atingir a plenitude de sua consciência.

 
At 2:03 AM, Anonymous Anônimo said...

Criamos um deus segregador, punitivo, interesseiro, preconceituoso, egoísta, narcisista, assassino, contraditório e marketeiro... Bem moderno. Bem parecido com o Bush (brincadeirinha).

Criamos um deus a nossa imagem e semelhança. Até me lembrei de Platão.

Mas vamos considerar só por um momento que Deus é que nos criou a sua imagem e semelhança.

É isso que entendi do teu texto, muito bom, por sinal. Muito forte.

Não sei se já viu esse texto do Voltaire:
http://pintopc.home.cern.ch/pintopc/www/vqp/99/vqp4399.htm

Um abraço.
Rita.

 
At 10:15 AM, Blogger Álvaro Borges said...

Olá amigos!

Sempre Aprendendo a desaprender: Putz, o pessoal está usando Deus até pra ficar com a Débora Secco? Se fosse ao menos Daniella Saharyba, Grazi, Karina Bacchi... ops, é melhor cancelar esse comentário antes que minha namorada leia...

Rita: Não consegui entrar nesse link.

abr@ços

Elloc

 
At 1:07 AM, Anonymous Anônimo said...

O texto ao qual me referi:

QUEIRA DEUS
Não é aos homens que me dirijo; é a Ti, Deus de todos os seres, de todos os mundos e de todos os tempos: se é permitido a frágeis criaturas perdidas na imensidão, e imperceptíveis ao resto do universo, ousar pedir-Te algo, a Ti que tudo concedeste, a Ti, cujos decretos são imutáveis e eternos, digna-Te a ver com piedade os erros de nossa natureza; que esses erros não nos tragam calamidades. Tu não nos deste um coração para nos odiarmos, nem mãos para nos degolarmos; faz que nos ajudemos mutuamente a suportar o fardo de uma vida penosa e passageira; que as pequenas diferenças entre as vestes que cobrem nossos débeis corpos, entre todas as nossas linguagens insuficientes, entre todos os nossos hábitos ridículos, entre todas as nossas leis imperfeitas, entre todas as nossas opiniões insensatas, entre todas as nossas condições tão desproporcionadas a nossos olhos, e tão iguais perante Ti; que todas esses pequenas nuangas que distinguem os átomos chamados HOMENS não sejam sinais de ódio e de persecução; que aqueles que acendem círios em pleno meio-dia para celebrar-Te suportem aqueles que se contentam com a luz de Teu sol; que aqueles que cobrem as vestes com um véu branco para dizer que é preciso amar-Te não detestem aqueles que dizem a mesma coisa sob um manto de lã negra; que seja igual adorar-Te em um jargão formado de um antiga língua, ou em um jargão mais novo; que aqueles cujo habito é tingido de vermelho ou de violeta, que dominam sobre uma pequena parcela de um montículo do barro deste mundo e que possuam alguns fragmentos arredondados de um certo metal desfrutem sem orgulho do que eles chamam de GRANDEZA E RIQUEZA, e que os outros os contemplem sem inveja: pois Tu sabes que não há nessas futilidades nada a se cobiçar, nem do que se orgulhar. Possam todos os homens lembrar-se de que são irmãos! que tenham horror da tirania exercida sobre as almas, como exerçam a extorsão que arranca pela forca o fruto do trabalho e da indústria pacífica! Se os flagelos da guerra são incentiváveis, não nos odiemos, não nos destrocemos uns aos outros no seio da paz, e utilizemos o instante de nossa existência para bendizer igualmente em mil línguas diversas, do Sião á California, Tua bondade que nos concedeu este instante. (Tratado da "Tolerância" - Voltaire - 1763)

 

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