Em algum lugar...

Meus braços estão doendo
Não sinto minhas pernas
Olho minhas mãos enrugadas e choro...
Essas velhas mãos seguraram as mãozinhas de meu filho e ergueram o corpinho de meu neto...
Hoje sou um velho inútil que para não atrasar ninguém, ficou só.
Dirijo-me a cadeira de rodas
Arranho minha perna no leito enferrujado
Percorro o corredor de choros, gritos e lamentações.
Lembro do passado alegre
Vejo a tristeza ao meu redor
Sinto minha respiração pesar com saudade daqueles que amo.
Deixo escorrer algumas lágrimas em meu rosto
Retiro o soro da minha inchada veia
Vejo o sangue escorrer pela minha perna
O coração acelera o passo.
Sinto que minha hora está chegando...
Levo minha cadeira até o final do corredor
Busco o único resquício de felicidade ao meu alcance.
Uma placa enferrujada, Ameaçando cair...
Onde está escrito “ASILO FINAL FELIZ”
abr@ços
Elloc

