22.2.07

Dane-se o aquecimento global!

O aquecimento global é um reflexo da loucura humana, de uma busca incansável por poder. Estamos todos loucos, isso é inquestionável. Trabalhamos, estudamos, vivemos para, direta ou indiretamente, chegarmos a um mesmo fim: acabar-com-o-planeta. Cientistas têm declarado que 2007 será o ano mais quente de todos os tempos e o motivo, segundo eles, é o aquecimento global. “Aquecimento Global” parece um nome respeitável, moderno. As nações que mais contribuem para esse sinal dos tempos são as nações mais poderosas, mais imitadas, mais invejadas. Aquecimento Global é sinônimo de status. Quem tem ar condicionado, carro do ano, celular de última geração? Quanto mais dinheiro temos, mais besteiras inventamos para fazer com ele, somos criativos.

“O seu futuro é duvidoso, eu vejo grana, eu vejo dor...” Seria Cazuza um clarividente? Eu não sou e posso ver grana e dor, mas esse futuro mostra-se mais certo que duvidoso. Sim, vejo todos os países lutando, sacrificando seus habitantes para crescer economicamente. Quando um país cresce economicamente, sua população consegue maior poder de compra, os fabricantes se animam, a produção aumenta, a matéria prima é extraída mais vorazmente, o consumismo ganha proporções gigantescas e toneladas de lixo aparecem como que por mágica. E sabemos que precisamos diminuir a produção de lixo e reciclar mais o lixo que podemos reciclar, parece simples, mas poucos estão fazendo isso, mas ainda sendo poucos, espero que continuem, pois, de influências negativas sobre a situação, já nos basta a TV e os estadunidenses.

Mas e daí? Dane-se a Terra! Temos computadores de última geração para comprar, fumar ainda é essencial para muita gente, temos que ir de carro à padaria da esquina e o calor aumenta cada dia mais, nos obrigando a manter o ar condicionado no máximo. As geleiras polares estão derretendo? Danem-se! Estamos ocupados com a Internet, com o trabalho, precisamos de dinheiro. Precisamos cuidar do nosso umbigo. As espécies nativas estão sumindo? Danem-se! Temos que nos preocupar com o crescimento econômico, com a novela das oito e com as coisas que compramos com o dinheiro que não temos. O tempo está enlouquecido? Dane-se! Compramos carros do ano, temos casas cada vez mais equipadas com coisas que não precisamos. O buraco na Camada de Ozônio está aumentando? Dane-se! Ainda temos nossos bloqueadores solares, nossos médicos, ainda temos praias e clubes e chuveiros e geladeiras e sorvetes da Kibom... Um dia o mundo ficará quente demais para ficarmos aqui? Dane-se! Temos os cientistas da NASA buscando algo. Ninguém provou que os nossos amigos verdinhos não existem mesmo, podem nos salvar. E, depois, de que valeria tanto cuidado com a Terra? Não diz a lenda que as baratas sempre sobreviverão? Então?! Elas que se virem pra colocar tudo nos eixos depois.
Rita.
Ps: (estou chegando agora, sou nova por aqui. Agradeço o Elloc por ter me convidado. Ainda estou testando as coisas por aqui. :D Ai que emoção, meu primeiro post!! rsrsrs)

Em algum lugar...



Meus braços estão doendo

Não sinto minhas pernas

Olho minhas mãos enrugadas e choro...

Essas velhas mãos seguraram as mãozinhas de meu filho e ergueram o corpinho de meu neto...

Hoje sou um velho inútil que para não atrasar ninguém, ficou só.

Dirijo-me a cadeira de rodas

Arranho minha perna no leito enferrujado

Percorro o corredor de choros, gritos e lamentações.

Lembro do passado alegre

Vejo a tristeza ao meu redor

Sinto minha respiração pesar com saudade daqueles que amo.

Deixo escorrer algumas lágrimas em meu rosto

Retiro o soro da minha inchada veia

Vejo o sangue escorrer pela minha perna

O coração acelera o passo.

Sinto que minha hora está chegando...

Levo minha cadeira até o final do corredor

Busco o único resquício de felicidade ao meu alcance.

Uma placa enferrujada, Ameaçando cair...

Onde está escrito “ASILO FINAL FELIZ”

abr@ços

Elloc

15.2.07

O dia em que encontrei jesus na bíblia!

Sempre acreditei que as pessoas podem mudar de opinião.

Eu estava aflito. Sempre que procurava algo, nunca encontrava.

Não conseguia mais andar de cabeça erguida. Meus olhos, rápidos, buscavam locais iluminados, como se quisessem pôr luz em minha vida.

Chega o stress. Agonizo-me facilmente. O turbilhão de sentimentos que passam por mim enchem minha cabeça de besteiras.

O tempo passa. Começo a pensar em coisas horríveis e mesquinhas. Sinto a poeira em minhas narinas enquanto ouço minha mãe gritando. Jogo os livros pra cima em busca de esperança. Empurro agressivamente meus livros de Nietzsche e Schopenhauer que até então só me atrapalhavam ao ficarem presos na estante. Em meio a ira, um livro cristão cai embaixo da cama.

“Seria um sinal?”, Questionei-me.

Fico de joelhos agradecendo a algo que até então desconhecia, abaixo minha cabeça e vejo junto ao livro uma caixa que se encontrava embaixo da cama e que há muito não era aberta. Meu coração batia forte e eu sabia que algo muito grandioso iria encontrar ali. Dentro da caixa havia alguns livros, os retirei e vi que lá no fundo havia uma bíblia.

A bíblia, daquelas grandes, estava muito empoeirada. Sua capa, dura, apresentava uma cruz dourada. Retirei com cuidado, a coloquei em meu colo e a abri. Nesse momento meu rosto iluminou-se de alegria diante de seu conteúdo. Muito feliz, enchi o peito e gritei:

- MÃE, ENCONTREI JESUS!!!!!!!!

Meu hamster perdido, ao qual dei o nome de Jesus, fugiu da gaiola, roeu aquele livro imundo e escondeu-se lá. Nunca irei esquecer o dia em que encontrei Jesus na bíblia!

OBS.: Só pra avisar que não possuo nenhum hamster, principalmente em gaiola (Na minha opinião, isso é um crime!). Mas, se eu possuísse um seria idêntico ao que aparece no link (clique em cima da palavra hamster).


abr@ços

Elloc

12.2.07

Ideologia, eu quero uma pra viver!

Acusam-nos de apáticos. Nós jovens nascidos entre 1980 e 1990 somos forçados a admirar e admitir o que os mais velhos fizeram quando lutaram por um Brasil melhor até a década em que nascemos. Hoje somos jovens que comemos um lanche no Mc Donald’s enquanto admiramos a pobreza através de um vidro transparente de shopping. Somos jovens que testemunhamos a Câmara mais claramente corrupta e nada fazemos. Somos jovens que presenciamos a violência e nos limitamos a protestar em Estádios de futebol achando que estamos fazendo muito.

Acusam-nos de apáticos e admitimos sermos assim. É a realidade. Nossos poucos representantes (entidades estudantis, DCE’s e políticos dos jovens) agem por motivos ora pequenos, ora pessoais. Contentamo-nos em brigar contra aumentos nos vales-transporte com medo de gastarmos mais da bolsa do nosso estágio enquanto esquecemos de olhar de forma holística para nosso país, ignorando que a repercussão das atitudes políticas que interferem de forma indireta em nossas vidas podem ser mais prejudiciais.

Acusam-nos, admitimos e somos punidos por nossas ações (ou pela falta delas) e não sem razão. Mas a que se deve isso? O que os jovens daquela de épocas anteriores a nossa tinham a mais do que nós?

Simples! Eles tinham heróis!

De tão simples, minha resposta pode aparentar ser simplista demais, mas sinto inveja das gerações, filhos dos fãs de Chico e Caetano, que tiveram o prazer de conviver plenamente com heróis que atendiam por nomes de Cazuza, Raul Seixas e Renato Russo. Heróis que de uma forma simples e numa linguagem simples eram responsáveis por repassarem ensinamentos que podiam variar do existencialismo ao hinduísmo passando inclusive pela psicanálise de Freud. Mais do que cantores, tais heróis eram líderes que convocavam os jovens, com o sangue efervescido pelos hormônios e pelo ódio á ditadura a criarem uma revolução aonde quer que estivessem.

Imaginem-se escondidos num quarto, com mais três ou quatro amigos, tentando interpretar as mensagens de músicas que diziam que “o negócio tá muito bandeira”, “enquanto houver burguesia, não vai haver poesia” e músicas que afirmavam que se parássemos pra pensar, na verdade não haveria um amanhã...

Sinto-me humilhado pelos meus dois irmãos que são 10 e 12 anos mais velhos que eu. Eles viveram os ídolos de sua geração. A minha, nem sequer os tem. Sentimo-nos felizes em sermos democráticos elegendo Fábio Faria ou Manuela D’Ávila de Rio Grande do Norte ao Sul. Sentimo-nos felizes com Funk e Axé e incomodamo-nos quando um refrão tem mais do que doze palavras, pois assim teremos que pensar. Ás vezes, sozinho em casa, embaixo do chuveiro, uma ou duas lágrimas ajudam a molhar o meu rosto quando canto um trecho de Ideologia de Cazuza:

“Pois aquele garoto que ia mudar o mundo(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muro
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder”

É triste ter que admitir que sou esse garoto e pior é imaginar que estou longe de ser o único...

Abr@ços

Elloc